Versos Portuguese José da Silva Maia Ferreira Se eu fôra o grão Vate d'Argiva potente

Portuguese poem

Se eu fôra o grão Vate d'Argiva potente

by (1827–1881)

Listen in the reader

Se eu fôra o grão Vate d’Argiva potente No antro de Delphos iria afinar Sua lyra doirada e nella cantára Teus magos encantos — teus dotes sem par.

Se divo poder nosso Deus me doára O fulgôr dos teus olhos iria roubar, Se eu fôra visão, em sonho eu quizera Teus labios de roza innocente beijar.

De prado luzido se eu fôra uma flôr Triste eu dissera — não quero murchar — Iria poizar-me em teu seio de neve Que assim não podia jámais acabar.

Se eu fôra da Persia Dario famoso Meu throno a teus pés eu iria curvar, Se dôce, suave, fagueira avesinha Endeixas d’amor te quizera infiltrar.

Mas eu não sou Deus — nem visão — nem florinha Nem Vate affamado na lyra a pulsar, Sou louco mancebo que o meu ao teu fado, Ó virgem mimosa, quizera ligar. —