Portuguese poem
V
by José da Silva Mendes Leal (1820–1886)
--«Ó filho, foi-te oráculo O genio meu profundo: Ó filho, achaste um mundo No berço imperial. Que resplendor, que auréola De gloria, de thesouros, De conquistados louros, De pompa triumphal!
Cesar, que vens de Césares, Deus pôz-te, alma adorada, A tradicção, a espada Nos braços infantis. Nasceste rei. Teu titulo Da mór grandesa assoma. Nasceste rei de Roma, E Roma o globo diz.
C'a herança conta. Alargo-t'a. A immensa monarchia Apuro noite e dia No paternal crysol. Legar-te quero o circulo Que os povos encorpora, Desd' onde surge a aurora, Té onde baixa o sol.
Dissiparão no vórtice Os diques derradeiros Meus bravos granadeiros, Meus esquadrões sem fim. Da cupula estellifera Dominarás robusto, Ó tu, futuro Augusto, Que és hoje cherubim.
Meu mando, egregio e próvido, Cabal a terra invade. Não mais que uma vontade, Que um throno, e que um altar! É tempo. Os fados cumprem-se. Desvende-se o mysterio... Universal imperio Começo hoje a fundar!...»