Portuguese poem
Adivinhação
by José Daniel Rodrigues da Costa (1757–1832)
Julgão-me todos riqueza, Porém ando esfrangalhado; E quem me vê neste estado, He que mais me estima, e preza: Minha mulher, sem benzer De quebranto, os mais defende; E quem de mófas se offende, A vai a outro off'recer: O ser branco, ou ser vermelho, Não me faz algum destrôço; Tanto me estimão em moço Como depois que sou velho.
Fita os olhos no que digo, * Gostarás disto comigo. *
1.ª Charade.
Se o principio do meu nome Vem d'Astro de claridade, He bem, que, sendo celeste, Seja o meio a caridade: E que o fim, de igual razão, Vos denote a compaixão; Vindo unido a defender, Vossa vida, e vosso ter.
Solta as redeas ao discurso, * Dá combinação, ás cousas; * Do Sabio he este o recurso. *
2.ª Charade.
A primeira, e segunda he mui veloz; Sendo aguda a terceira afflige, e mata; E quem reúne as tres, faz-se hum algoz.
Cabe na mente do esperto * Saber o quanto te digo; * Dorme, sahirás deste apêrto. *
Amigo, escusas cançar-te; Por ter de ti compaixão, Nos versos, que tem estrella, Acharás a explicação.
Se Acrosticos não entendes, (O que não he natural,) He por que tens a cabeça Formada de pedra, e cal.