Portuguese poem
IV (Com efeito, o que é um…)
by José de Alencar (1829–1877)
Com efeito, o que é um ponto de interrogação? Se fizerdes esta pergunta a um gramático, ele vos atordoará os ouvidos durante uma hora com uma dissertação de arrepiar os cabelos.
A EMY LA-GRUA
Que geme de amor, Que beija lasciva O seio da flor, Colhe em teus beijos O brando suspiro, A brisa furtiva Os doces bafejos De que eu me inspiro? A onda ligeira Que treme e palpita, Que de feiticeira Murmura e saltita, Viu-te no sorrir Que o lábio desata Brincar e fugir A doce volata?
A corda da lira Que mal estremece, E tênue suspira Um som que entristece, Bebe em teu pranto O débil queixume, Guarda de teu canto O eco, o perfume?
Tens nos lábios teus A flor da harmonia, Que dás como Deus, Aos sons melodia, Acento divino, A vaga o seu friso, Às auras um hino, E a tudo o sorriso?
Dos anjos soubeste As notas sublimes D'harpa celeste, Com que tudo exprimes; Ou deu-te o amor A chama sagrada, O grito da dor, A voz inspirada?