Versos Portuguese José de Alencar XX (Arte regit populos, bello proecepta ministrat)

Portuguese poem

XX (Arte regit populos, bello proecepta ministrat)

by (1829–1877)

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Arte regit populos, bello proecepta ministrat Mavortem cernit milite, pace Numam

Correi sobre estas flores desbotadas, Lágrimas tristes minhas, orvalhai-as, Que a aridez do sepulcro as tem queimado.

À MORTE DO INSIGNE POETA PORTUGUES VISCONDE DE ALMEIDA GARRETT

Morrer! Porqu'extinguir-se assim tão rápida A centelha vivaz que alumiava Por entre os véus da noite a turba varia? Morrer! E além perder-se fenecida A fronte poderosa que abrigava A vontade de Deus! - Nem mais seus olhos Lerão nos astros a marcada rota Que o mundo há de seguir.

De Lísia a musa - joelho em terra - pára Junto da campa que entre a noite alveja! Treme-lhe o corpo, como sacudido

Por ventania rija, e os olhos turvos Em vão se esforçam por verter um pranto - Consolo que lhe adoce a dor cruenta. E as lágrimas enxutas se derramam Por sobre a face em convulsivos traços Do sangue coagulado que nas veias De súbito estancou.

Que maldição, Senhor, açoita o século! A morte hedionda, entrechocando os ossos, Tripudia de júbilo, espreitando A vítima infeliz. Seu peito cavo Anseia de alegria. Os que mais alto Erguem a fronte refulgindo glórias. — Decrépita manceba - ela escolhe; E tenta remoçar o amor adusto, Chupando o sangue que mais puro gira Em coração de homem.

E assim de um só ímpeto se apaga Uma vida que rútila brilhara, Seus raios desferindo a acalentaram Com seu almo calor as mós do povo! E assim resvala na solidão perdida A voz que descantara em lira d'oiro, Com coração pungido de amarguras, A cruenta desgraça do poeta Que morreu com a pátria.

Oh! Que sina tão negra a do poeta! Escolhido da dor, perlustra a vida, Rasgando o seio que a desgraça oprime, A derramar nos cantos inspirados Essa de vida seiva tão possante Que pródigo oferece às multidões. E por trôco o sofrer angustiado Do maldito de Deus que vaga incerto No caminhar contínuo.

Nenhum consolo sobre a terra ao pobre! E quando era sentado sobre o marco, Pendida à frente a descantar às auras A dulia inefável de seu seio, A morte lhe interrompe o canto suave, Que ele vai terminar na eternidade Junto ao trono de Deus.

Que plácido repouse nas alturas - No remanso da paz - entre os arcanjos, Que em seus braços o acolhem pressuroso! E unindo sua lira em nota amena Às harpas divinais, ufano entoe Os hinos do Senhor.

Feliz, despiu a túnica poenta; E, se prostrado jaz na loiza frígida Estanguido seu corpo pela morte, Eternos viverão seus divos cantos, Que não há esquecer obras que o gênio Com seu sopro inspirou.