Portuguese poem
XXVII (Domine, exaudi orationem meam)
by José de Alencar (1829–1877)
Domine, exaudi orationem meam! Morrer tão moço ainda! Quando apenas Começava a pagar à pátria amada Um escasso tributo, que devia A seus doces extremos!
Morrer tendo no peito tanta vida, Tanta idéia na mente, tanto sonho, Tanto afã de servi-la, caminhando Ao futuro com ela
Se ao menos de meus filhos eu pudesse, Educados por mim, legar-lhe o esforço... Mas ah! que os deixo tenras florezinhas À mercê dos tufões
Vencerão das paixões o insano embate? Sucumbirão na luta do egoísmo? As crenças, a virtude, o sentimento, Quem lhes há de inspirar
Não te peço, meu Deus, mesquinhos gozos Deste mundo ilusório; mas suplico Tempo de vida, quanto baste apenas Para educar meus filhos.
É curto o prazo; dai-me embora ao fel Dos sofrimentos; sorverei contente. Lúcida a mente, macerai-me as carnes Estortegai meu corpo.
E após, tranqüilo, volverei ao seio Da eternidade. A fímbria do teu manto, Face em terra, beijando, o meu destino Ouvirei de teus lábios.