Portuguese poem
Passaste como a estrela matutina
by José Maria do Amaral (1813–1885)
Passaste como a estrela matutina, Que se some na luz pura da aurora; Da vida só viveste aquela hora Em que a existência em flor luz sem neblina.
Ver-te e perder-te! De tão triste sina Não passa a mágoa em mim, antes piora; Sem ver-te já, minha alma ainda te adora Em triste culto que a saudade ensina.
Não vivo aqui; a vida em ti só ponho, Na fé, de Cristo filha, a dor abrigo, Futuro em ti no céu vejo risonho!
Neste mundo, meu mundo é teu jazigo; Dizem que a vida é triste e falaz sonho, Se é sonho a vida, sonharei contigo.