Versos Portuguese Junqueira Freire Pedido

Portuguese poem

Pedido

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Não é verdade que possa-se bem escrever, quando se sofre. CHATEAUBRIAND.

Belo jovem, tu vagueias Por campinas de esmeralda. Adormentas sobre as flores O doce amor que te escalda.

Ainda o céu te aparece Vasta abobada de anil. A teus olhos não há nuvem, Nem furacão, nem fuzil.

Inda levantas os olhos Á tua estrela feliz, Lês cada noite em seus raios Mil esperanças gentis.

Depois das visões ditosas De teu dourado dormir, Acordas falando amores Com prazenteiro sorrir.

Ao ardor meridiano Ouvem-te ainda cantar. Não vês a mágoa estampada Na face crepuscular.

Pela escada da ventura Sobes cad'hora um degrau, Tua existência mimosa É um contínuo sarau.

Belo jovem, — no teu peito Não tocou a mão da dor. Teu espírito inocente Pode bem pensar de amor.

Belo jovem, — só tu podes Co'os sentimentos na mão, Falar palavras ardentes, Labaredas de paixão.

Eu que tenho lutado contra a vida, Bebido noutro cálice de dores, Jovem! — não posso meditar doçuras, Cantar ternos amores.

Eu que nunca senti nos olhos dalma O traspassar dos olhos da donzela, Jovem! — não posso te pintar ardores Que não senti por ela.

E se eu quisera, disfarçando angustias, Cantar suave a tua bela Armia, Jovem! — de todos eu teria em paga Um riso de ironia.