Portuguese poem
O Jesuita
Era longe — bem longe: e eu vim primeiro Cindindo as ondas desse mar profundo. E por amor da Cruz vaguei sozinho Nas ínvias matas desse novo mundo.
O tamoio gentil hervava as setas, Quando pelos vergéis, tão seus, me via: E co'os olhos fosfóricos ardendo A taquara fatal a mim tendia.
E tendia a taquara, —mas ao ver-me Quão sem temor e quão inerme estava, Trocando em doce o seu olhar fogoso, O arco e a seta pelo chão rojava.
De mim as tribos bárbaras, indômitas, De mim o verbo do evangelho ouviram. E ergui a cruz nos píncaros dos montes, E após o verbo os povos me seguiram!
Eu disse às tribos: — Todas vós sois ricas, — Que o ouro e a prata o solo vosso esmalta. Sois ricas tribos, — mas não sois felizes, Porque uma crença de um só Deus vos falta.
E eu dei às tribos uma crença doce, Qual uma chuva de maná celeste: E as tribos foram desde então felizes, Qual flor pomposa que os jardins reveste.
E quando os reis da terra se esqueceram Das tribos dadas a seu cetro forte, Eu levantei-me, e disse aos reis da terra, — O povo geme: transmudai-lhe a sorte.—
Eternos templos eu ergui sozinho, Eternos como a duração da terra. E sozinho sagrei altares tantos Ao Deus que aos ímpios c'o trovão aterra.
Eu dei às tribos uma crença doce, Eu levantei alcáceres eternos. Deram-me os homens prescrição e morte, Deram-me em premio as fezes dos infernos.