Portuguese poem
A esperança
by Luís Delfino (1834–1910)
Quanta fadiga custa-nos a vida! Vivemos entre túmulos; vivemos Num largo mar, em barca ao som de remos Fechando e abrindo o leque na corrida.
A onda é mansa, a onda é desabrida, E incerta a praia branca, onde aportemos: Mas... a que vamos? mas... o que queremos? Nos chama ao longe alguma voz querida?
Vem talvez lá dos píncaros do monte, Onde canta a visão de loura trança? É vapor... voa... foge do horizonte.
Quem olha ao largo outra visão alcança, Visão formosa!... chega-se defronte, É nuvem... nuvem... nuvem da esperança...