Portuguese poem
A dor acompanhando
by Luís Delfino (1834–1910)
É a vida real um charco infecto, Uma lagoa pútrida e medonha, Onde não há ninguém, que os pés lá ponha, Que não sinta atacá-lo oculto inseto.
Forma-se às vezes o gentil projeto De ir-se um dia a outro céu, com que se sonha, E na esperança, embarcação risonha, Das azuis regiões faz-se o trajeto.
Mas vai o corpo em chagas descosido, Pôr venenosos vermes lacerado, Vermes, que só nos deixam, quando enchido
Longo fio de anéis, de sangue inchado: E no país do sonho estremecido Guardam-se as dores do país deixado...