Portuguese poem
À catedral
by Luís Delfino (1834–1910)
Rola cadentemente ao céu o monolito, Amontoa-se, vai, sobe, e espalma-se ao lume, E apanha pelos céus aterrados o nume, Que prende no seu antro enorme de granito.
Amarraram-no ali: ali mora o infinito Encadeado ao cinzel do artista, que o resume: Tudo é mármore jônio, oriental perfume: No meio de clarões coalhou aquele grito.
A alma humana assim dobra as grandes asas largas, Bebe em cálix doirado as bebidas amargas, Que envolvem a razão em crespos aranhóis.
Deus não enche a amplidão das catedrais escuras; Deus andará por alto, em regiões mais puras: Anda noutro universo, anda por outros sóis.