Versos Portuguese Luís Delfino A filha morta

Portuguese poem

A filha morta

by (1834–1910)

Listen in the reader

Lembro-me dela, quando então vivia: Era suave e meigamente bela; Santa em um nimbo, ao vê-la na janela, De pé, dentro de um nicho, à luz do dia.

Pouco depois, meu Deus, quem o diria? Inda estava formosa, inda era ela, Mas fria já, já pálida a donzela, Lírio morto, que em lágrimas floria...

Virgem de Sanzio, imaculada filha De um sonho de oiro e da visão mais pura, Quem, ante a imagem dela, não se humilha?

Foi uma estátua de esplendente alvura, Feita só para um túmulo, em que brilha, Imóvel, doce, em plácida postura...