Portuguese poem
A grande lei
by Luís Delfino (1834–1910)
Aequam...
Servare mentem...
Horácio — Odes
Não será a humildade uma doutrina Vã, que ensinaste há dois mil anos, Cristo? Desde então o que viste, o que hemos visto, Depois que a disse a tua voz divina?
Hei de deixar a lâmina assassina Cravar-me o peito? Posso, e não resisto? Deixaste a cruz erguer-se, e a cruz domina: Perdoar e esquecer: — a vida é isto?
Não sei eu. — Mas sem ódio, e sem cobiça, O ideal do bem levanta-me e sorri-me: E de alto haurindo de ânfora inteiriça
Sorvos de luz do teu Amor Sublime, Na calma fria e heróica da justiça, Eu condeno o perverso ao próprio crime.