Versos Portuguese Luís Delfino A mãe das mágoas

Portuguese poem

A mãe das mágoas

by (1834–1910)

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Parece a imagem da inocência; é vê-la Chorosa adrede, e derramando em fráguas Serpes de oiro de lágrimas; esmago-as: Ressurgem: uma só não há prendê-la.

A intriga tece, sabe concebê-la: Tem a perfídia das profundas águas; É a mãe, que amamenta as grandes mágoas; É a luzerna, parecendo estrela...

Ri de mim minha austera consciência, Sei que este amor é tortuoso espinho, Que tem em si uma letal essência.

Mas... não posso viver sem seu carinho: Ela caiu-me dentro da existência, Como uma vespa dentro do meu vinho...