Portuguese poem
A loba
by Luís Delfino (1834–1910)
É o amor uma loba; — os sóis devora; Anda a estrugir com sua voz medonha De noite à lua; e vela, e dorme, e sonha Leitos de opala, como os tem a aurora!
A dor terrível pelo olhar lhe chora Ante a extensão indômita, enfadonha, Onde a caça esplendente arfando mora, Sem que numa somente as garras ponha.
Olha inda o céu da gruta à borda, e um grito, Em vez dos dentes, crava no infinito; Crava um último olhar furioso e louco.
O amor é assim; — a famulenta loba, Que os sóis, se pode, morde, apanha, rouba, E enche os seios p´ra os dar, e inda acha pouco.