Portuguese poem
A mãe das sete dores
by Luís Delfino (1834–1910)
É velha; mas a hora que caminha, Marca, a férreo ponteiro, a face dela: Vê-se no gesto, inda hoje, que foi bela, De uma beleza austera de rainha.
O tempo em rugas múltiplas se apinha, Qual risca um lago a garra da procela, Na tez, que foi esplendorosa tela, E onde riu tudo, a mágoa enfim se aninha,
Tem hoje a cicatriz do desconforto, No olhar, nos lábios, no sorriso morto, Na fronte em pregas cheias de rumores.
Muda estátua de mármore estragado, Parece que viveu por ter chorado, Como a Niobe, a mãe das sete dores...