Portuguese poem
A pinguela
by Luís Delfino (1834–1910)
Há muito a chuva cai torrencial: o rio Ruge, e levanta o colo engrossado à barranca, Toma agora o caminho, enche agora o desvio, E põe aos ombros os velhos troncos, que arranca.
Tem largas convulsões histéricas de frio A mata, aos verdes pés brame-lhe a espuma branca; Tudo empolga a torrente: uma passagem franca Tem contudo este abismo indômito e sombrio:
É a pinguela: um tronco estreito atravessado Sobre a água: o sertanejo afaga o companheiro, Belo animal que monta, e o despe, e o lança a nado;
Cantando, e a pé viril, de um velho fauno herdeiro, Com o selim que sobraça, e a coma ao vento irado, Pisa-o como se fosse um sólido carreiro...