Portuguese poem
A resposta das cousas
by Luís Delfino (1834–1910)
Grande alma universal, onipotente e boa, Ouve: em vez de calçar com lágrimas, com riso Aveluda o carreiro árduo e estreito que piso: Um deus qualquer, vê bem, olha, um deus te atraiçoa.
Perdeu-se a âncora antiga, a vaga arrebatou-a. Encarna-te de novo, um milagre é preciso; Busca nova mulher, e, se inda é tempo, voa, Dá-nos novo Jesus, e um novo paraíso.
Coalha de Alhambras de oiro o azul do teu caminho. O mundo é jaula, a jaula, — anda, — transforma em ninho. Numa das tuas mãos outro universo dorme.
Abre, arqueia outro céu, redoira-lhe a corola... ... Mas num grande silêncio outro silêncio rola: E há no fundo da noite uma lágrima enorme!...