Versos Portuguese Luís Delfino A tirania

Portuguese poem

A tirania

by (1834–1910)

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Quando, da liberdade em nome, um clown num dia Açaima um povo, e o avilta, e o junge em lida insana, É que ele surpreendeu de rasto a cobardia, E achou cega e sem guia a consciência humana.

Ódio todo e traição, tudo o trai, tudo o engana, Tem medo ao sol, — sorriso, asco à luz, — ironia, Só não vê junto a si de pé a tirania Da virtude, que o julga, e o esmaga, e é mais tirana.

Com ele a história é ruína, é lágrima, é destroço. Mete-o aí mesmo a justiça, ata-o aí mesmo em granito, A gargalheira roxa e túmida ao pescoço...

Zurze-o a Hora, que passa; aspa o Tempo o maldito; Suja-o o vesgo rumor de um mar furioso e grosso Da vasa e dos baldões, que enchem grito após grito...