Portuguese poem
A velha serpente
by Luís Delfino (1834–1910)
É quasi louca; e sabe que a loucura Ela transmite facilmente, quando Ri de um rir quente, carinhoso, brando, Que lhe ilumina toda a formosura.
O mal que dá, o mal que ela não cura, Embrulha-o um cheiro pérfido e execrando, E vive, criança, o mundo intoxicando, Como a velha serpente da escritura.
Não há nada que a abale, a mova, e a excite: Pode tiranizar os seus tiranos; Cria, e não mata o anseio do apetite;
E inda lança dos olhos soberanos, Olhos de invicta Vênus-Afrodite, Todo sal que amargura os dois oceanos.