Versos Portuguese Luís Delfino Abismos que se interrogam

Portuguese poem

Abismos que se interrogam

by (1834–1910)

Listen in the reader

Vaga após outra vaga; e o seu olhar as via, Como uma seda azul, que o vento amarrotasse, Ir indo longe, e ao largo, em torno à serrania; E aquela névoa toda andava-lhe na face.

Como um abismo, que outro abismo interrogasse, Sempre que a um tufão novo o pélago rugia, Via-lhe ao tumultuar, que morre, e que renasce, Buscar a causa dessa inquietação sombria.

Noite arrastando um luar, como um amplo sudário Errante além no oceano, acabava o cenário, De que ela ia saindo, ou parecia entrar.

Eu atrás, quasi ao pé, mais tristonho que sério, Cria de ambos — talvez — compreender o mistério: E o mistério maior, não... não era o do mar.