Portuguese poem
A Vênus loura
by Luís Delfino (1834–1910)
Essa tristeza sempre em ti me espanta! Que tens na cinza dessa cisma toda? Minh'alma fica ao ver-te assim mais douda, Minh'alma, Ofélia, que chorando, canta.
Que colhe a flor a esmo, e a junta à planta Espinhosa do campo, e corre à boda, E vai à morte, e nos ervais enloda A alva veste de noiva e o olhar de santa...
Por toda parte, à mão aceso facho, Como Eudimião, Diana — a Caçadora, Busco o que és tu, e em ti, o que és, não acho...
Que segredo em ti mora, ó Vênus Loura? Quem me dera descer por ele abaixo... Oh! quem dentro de ti morrendo fora...