Portuguese poem
A túnica de Nessus
by Luís Delfino (1834–1910)
Quero fugir-te: fujo; — e vais comigo: Vais, como a sombra do meu corpo, adiante, Atrás, ao lado, como pede o instante: Tu me segues, mau grado, ou eu te sigo.
Arrancar o punhal não é bastante; Isto só não me livra do perigo: Nem o perfume à flor tirar consigo, Nem cerrar da ferida a boca hiante.
Teu gesto embalde à cólera me atira: Embalde rasgo em fúria os teus vestidos... Se em teu olhar a lágrima suspira,
Ruem em meu sangue os fluidos teus diluídos... É túnica de Nessus, Dejanira, Este amor agarrado aos meus sentidos...