Portuguese poem
A um miserável
by Luís Delfino (1834–1910)
Nunca vendi a minha pena honesta, Bufarinheiro de um jornal corrupto: Onde o sol anda a rir de festa em festa, Onde há luz a cantar, trabalho e luto.
Quem toma o nome e a máscara de um bruto, Mais qualquer cousa inda a perder lhe resta? Melhor fora, tremendo e resoluto, Ser um ladrão que a larga estrada infesta,
Ou no oceano da vida tresmalhado, Correndo mar e mar, audaz corsário; Ser um herói do crime, enorme, odiado,
Mas um herói!... E tu, por vil salário, Queres roubar-me do meu nome honrado, Sem que enchas de oiro teu vazio erário?!...