Portuguese poem
A mosca
by Luís Delfino (1834–1910)
Era um trabalho de divino artista, Deslumbrante de luz e transparente, De oiro, esmeralda, pérola, ametista, E o que há de rico em pedras do Oriente.
Era um sol pequenino, e doce, e quente, Jóia viva, que noutra jóia enrista, Com vôo doido, alegre, impertinente, Beijando-a à boca, e a cintilar-lhe à vista.
De mel não era de colmeia tosca, Que ia ali ebriar-se aquela mosca, Grácil, ávida, trêmula, a fremir.
Mas os lírios das mãos gentis brandindo, Viu-se, um céu ela toda, o inseto lindo Cair do céu e inda no céu morrer.