Portuguese poem
À hora do almoço
by Luís Delfino (1834–1910)
Pelo sapé furado da palhoça Milhões de astros agarram-se luzindo; O pai, há muito, madrugou na roça: A mãe prepara o almoço. — O sol é lindo.
Canta a cigarra; o porco cheira; engrossa O fumo dos tições; — anda zunindo À porta um maribondo; e fazem troça As crianças com um ramo o perseguindo.
Correm, chilram, vozeiam, tropeçando Num velho pote; — a mãe, zangada, ralha, A avó lhes lança o olhar inquieto e brando.
No chão um galo ajunta o milho e o espalha, Enquanto a um canto, as penas arrufando, Põe a galinha num jacá de palha.