Portuguese poem
Entrada na floresta
by Luís Delfino (1834–1910)
Há uma nódoa branca na verdura: Um novo aroma bom a seiva exala: Troncos, de pé!... Quem vai, quem vai buscá-la? Honra-vos, bosque, a sua formosura!
Ei-la aí. — Esta mata ou treme ou fala: Tem cada galho um êxtase; ternura A sombra; o sol ebria-se a fitá-la, Num voluptuoso espasmo de ventura.
Traçam-lhe um ninho os pássaros; de esguelha Olha-a um fauno; enche-a a luz de pedrarias; O ar a oscula, a aquece, a faz vermelha.
Metem-se em liquens de oiro as penedias; Para ouvi-la, o grotão lhe estende a orelha; Cantam, para embalá-la, as ramarias.