Portuguese poem
Em fuga à serra
by Luís Delfino (1834–1910)
Gostas mais de estar lá, bem sei; confessa. Aqui a gente deita-se e desperta Grande o céu, preso ao monte, por coberta... E há em tudo um bom cheiro e em ti começa.
Mas só uns dias? hein?... Foi vir com pressa! Sem ti como a cidade está deserta!... É isto a sala, que encontrando aberta, Fugindo ao frio, um pássaro atravesa.
Cansava fora o vento, que farfalha, Silvava, como um dia de batalha, Ou como ronca o mar nas praias dando...
Nem pestaneja a luz, que ela dormia: E por seu quarto, a medo, a andar, se ouvia Só a voz calma do seu sono arfando.