Portuguese poem
Estátua de mausoléu
by Luís Delfino (1834–1910)
Tem a estatura regular da Milo, E a alma dela também: foi de bem cedo Que a vi como Imortal; e tive medo, Parando em frente ao tétrico sigilo.
Embalde indago e tento descobri-lo: É mais fácil ouvir de algum penedo, Da dor que o imobiliza, o atroz segredo: Houve um novo mistério em tudo aquilo.
Minha esperança está desenganada: Mulher, — seu frio orgulho nada explica; Deusa, — tem em desprezo o ser amada.
Ao dia, à noite aí vive, aí anda, aí fica, Como por mãos de mestre esculturada Num mausoléu, ao tempo, estátua rica...