Portuguese poem
Estrela cadente
by Luís Delfino (1834–1910)
É triste sempre; — algumas vezes chora; Zêuxis em tempo viu o ideal: revela Na forma pura esse buril de outrora, Que em si guardou todo o segredo dela.
Falta-lhe a calma. — Alado cão devora Pedaços quentes da manhã mais bela, Que em seu corpo gentil de moça alvora; Sai dele um grito de íntima procela:
Águas, nuvens põe fora, e vento e neve... E alga murcha do mar sobre um rochedo, Bate-lhe um riso branco a boca breve.
Não: o naufrágio não lhe mete medo: Mas há de alegre alguém viver, se deve, Sendo formosa assim, morrer tão cedo?!...