Portuguese poem
Febre
by Luís Delfino (1834–1910)
Quando a vejo passar, taça límpida e cheia, Que nenhum lábio humano até hoje tocou, Sinto que febre intensa a minha alma incendeia, E ardo por lha tomar, no delírio em que estou.
E ela passa por mim do meu mal tão alheia, Sem saber da emoção que um louco atrás deixou; E quero acometê-la, e sinto uma cadeia, Que em meu leito de angústia em voltas me cerrou.
Eu tenho fome, vem, fruto do paraíso; Eu tenho sede, em vão grito: formosa, vem; Virá contigo, eu juro, o perdido juízo.
Do cíato, que o aroma impoluto contém, Quero beber o céu, à sombra do teu riso, E Éden novo e melhor ter eu nele também!...