Portuguese poem
Estrela preta
by Luís Delfino (1834–1910)
Questão eterna, e dúvida!... — A procela Nasce e acaba no céu; tanto mais breve, Quanto mais forte: a violeta deve À maior sombra o que há mais puro nela.
Esta mulher? Que sei? Não sei. — Revela Contudo uma alma de anjo, alma de neve, Tendo um par de asas pequenino e leve, Como deles Murillo enchia a tela.
Um lírio é assim: é casta. — A gente pensa: O olhar complica-a, o olhar, que lhe mistura Nódoa quente de noite azul... e imensa...
Como a luz será ela por ventura, Que em foco dando em cheio é mais intensa... Tem barulhos de luz de estrela escura?...