Portuguese poem
El gran galeoto
by Luís Delfino (1834–1910)
Estalou-te na cara, um dia, a bofetada Da mão do amigo sério; um látego nojento Mordeu-lhe o corpo todo, e em sangue a lacerada Carne pendeu do torso, e balançou-a o vento.
A soluçar rugiste, e o rosto macilento Escondeu pela barba insonte e arrepiada A lágrima da dor; como a um ser odiento Viu-se fugir de ti a terra amedrontada.
Onde a plebe urra, e dança, e sangra ao pugilato, Ergueram alto um poste infame ao teu retrato, Que oscilou aos baldões, aos sóis, às chuvas, nu.
E a calúnia somente, ó Mestre, apunhalou-te!... E, como vens, como um bandido atrás da noute, Golpear, ferir também, à sombra dela, tu?...