Portuguese poem
Primeira audácia
by Luís Delfino (1834–1910)
De muitas vozes abafado grito; Labor no campo ao longe: — na antessala A mãe stá como estátua de granito; E, como estátua, é gesto só, não fala.
Eu converso: — Este céu como é bonito! Que branco aroma o cafezal exala! Enquanto um galho ali colhido agito Contra vespa, que vai, vem, a azoiná-la.
A filha olha o ondulado espaço imenso Brandindo o leque, quando o inseto vinha: Cismo então: mas que cismo, e sinto, e penso?
Se um instante a pudesse ter sozinho!... E nisto o vento ao chão lhe pondo o lenço, Beijei-lhe, erguendo-o, a mão que nele tinha...