Versos Portuguese Luís Delfino Pérfida como a vaga

Portuguese poem

Pérfida como a vaga

by (1834–1910)

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Ela é o Amor, ela é a Maravilha: Quem a vê, ouve a música de um canto; E sente a um tempo um tal terror e espanto, Que já não sabe mais por onde trilha.

Abraça-a a luz, que em torno lhe fervilha... Asas baixas, a um lado, o Anjo do Pranto Condoer-se dela ali parece entanto: Vênus com um riso mau a olhá-lo, o humilha.

Ela, num abandono de rainha, Languidamente ao céu azul caminha, Levando aos pés o universo em queixa.

Tudo prostra num olhar voluptuoso: Cria o desejo, e o ardor de tê-la, e o gozo... O gozo vão de amá-la, é só que deixa.