Portuguese poem
Perdão
by Luís Delfino (1834–1910)
Quando das nuvens do meu ódio ensaio, Jove um dia, a faísca que fulmina, E às mãos juntando raio sobre raio, Agarrado de um astro em fogo à crina.
Um pouco desço da mansão divina, E no vil com crotais ardentes caio, Eu digo às chamas, que soltei: — Deixai-o: E o meu perdão a cólera domina:
E a harpa doce de Hesíodo sobraço, E os deuses canto, irmãos do poeta, e a ode Feita de luz e amor, dando alma ao espaço,
Todo meu coração, que é bom, sacode: Há, nesse instante, um leito em flor que faço, E aí, sem sustos, dormir o crime pode...