Portuguese poem
Pacificação
by Luís Delfino (1834–1910)
Ei-la aqui stá... Vês... como tudo muda? Não há no bosque mais conspiradores: E cada tronco perfilando, ao pôres Os pés no chão, em curva nos saúda...
Estuda tudo, árvore, e rocha; estuda O rio, o musgo, o ninho, o aroma, as flores: Nota a atitude ao vale, o gesto às cores, E os verdes gritos da canalha miúda...
Ouve o pássaro, o inseto, o odor: repara Num ar bondoso, com que a pedra escuta A alma das cousas, e a alegria rara
Da lágrima chorada, há pouco enxuta... Entra a selva: eis o templo, ó deusa, e em ara Brilha a arcada em festões, mais longe a gruta.