Portuguese poem
Os diabretes de D. Ana
by Luís Delfino (1834–1910)
Temporis et prisci facta referre senem... Tibullo — Elegia
Quem não teve entre os seus uma velha africana, Que embala o berço, e canta, e acarinha, e vigia? Que com histórias, que valem pérolas, grana Quimeras de oiro, e as lança em nossa fantasia?
A nossa tinha atrás do morro uma cabana, Vegetando agarrada à bronca penedia; Junto dela o moital, no moital a alegria De uma água que cantava ao ver chegar D. Ana.
Dizia a água a saltar: — a D. Ana já veio!... E à meia noite a velha, o rosário no seio, Feito o sinal da cruz, ia à ponte espiar.
Riam-lhe da água então grupos de diabretes, Davam pulos no ar, jogavam-lhe os barretes... Lindos!... feitos de prata, em nesgas do luar!