Portuguese poem
Orfeu
by Luís Delfino (1834–1910)
Há clamor nos rosais, há dança na montanha: Valsa o arvoredo, rola em torno Pã, cintila Enroscando-se o rio; o leão tem na pupila Serpentes de oiro, o tigre uma fogueira estranha.
Cresce o delírio, sobe à esfera, e os numes ganha; Entra o furor na turba há pouco inda tranqüila Dos planetas; e tudo anda em roda; vacila, Precipita-se o Olimpo, e o ébrio ritmo acompanha.
Sobre as vagas do mar, por vez primeira quedas, Netuno ergue a cabeça e o grupo das Nereidas. Bóreas, filho da Aurora, as asas suspendeu.
Jove, os raios brandindo, os quer conter; aos brados Surdos, deuses e sóis, em turbilhões levados, Passam. — No Atos, de pé, cantava à lira Orfeu.