Portuguese poem
O traço de união
by Luís Delfino (1834–1910)
Não é o mar, que ocupa um vasto espaço, Nem o intérmino céu, que o sol habita, E a águia, que à garra o empolga, e o assalta, e o fita, E, à volta, às asas dorme de cansaço;
Não Deus, cujos mistérios não devasso, Não é o ódio, que queima, afasta, irrita, Não o amor, que a união de almas incita, Mulher divina, o único embaraço:
A vida é contra nós a arma mais forte; O que me obriga a não beijar teu colo, Nem talvez saibas, pálida consorte:
Olha, nós vamos, e hora e hora eu rolo Para o último leito; eu sei que a morte Há de unir-nos então, e me consolo...