Portuguese poem
O velho leão
by Luís Delfino (1834–1910)
Levando ao ombro a cruz dolorosa da vida, Subi, à tarde, a erguido e escabroso caminho, E me vi sobre o cimo aspérrimo sozinho, Tomado de tristeza imensa, indefinida.
Havia na floresta escura um murmurinho; Atravessava o azul uma nuvem perdida; O sol, como medalha antiga despolida, Deixava o céu, como um condor viúvo o ninho;
E eu disse: — Sofro! E o mundo ou sofre, ou sonha e dorme. — Quando saiu do céu, do mar, e da montanha Uma boca sinistra, e uma palavra enorme.
E a um tempo astros aos pés, e estrelas pela fronte, Como quem busca a tenda, após a luta ganha, Um deus, um velho leão, alto, enchia o horizonte...