Portuguese poem
Os rebeldes
by Luís Delfino (1834–1910)
Tenho ouvido dizer que desde o homem primeiro Houve o medo de Deus, o Deus bom da Escritura; E sempre viu-se em todo o tempo a criatura Ter o terror, que preso, acusa o prisioneiro.
Ante a dor um rebelde uivou um dia inteiro; Perguntou: — Por que à dor a vida se mistura? E um audaz Prometeu, grande, como um argueiro, Foi, e mediu com Deus sua própria estatura.
Como fundo o céu todo, o céu todo e o horizonte... Assim sondando o espaço, e olhando fronte a fronte, Dous heróis devem ser, antes de uma batalha.
Talvez trema a montanha ao pé de um grão de areia, Porque se ela inda agora o enorme dorso alteia, Pode ser amanhã pó, que o vento ergue e espalha...