Portuguese poem
Que é ser triste?
by Luís Delfino (1834–1910)
Hoje tens jóias de oriental princesa; Sim! hoje toda adoração é pouca; Ninguém te diz que a rosa da beleza É como a bolha lapidada e oca.
E hão de fugir-te todos de surpresa, Depois de terem tua arqueada boca À venenosa boca deles presa, Num só momento de vertigem louca.
Verás que o tempo em nós jamais tolera Alegrias sem fim; e hão de uma a uma, Como andorinhas de odorosa esfera,
Fugir, logo que o inverno o ambiente esfuma; E o que é ser triste saberás. — Espera, Vênus, que a onda inda embala e oscula a espuma...