Portuguese poem
Saudade
by Luís Delfino (1834–1910)
Ao Desterro
Ilha gentil do Sul, filha misteriosa De uma verde Anfitrite e voluptuoso poeta, Que ampla saudade morde aqui minha alma inquieta, Terra, em que o sol à fronte abre como uma rosa.
Dera-me um deus beijá-la, — assim como a queixosa Onda, em que anda a estuar uma paixão secreta, A oscula e agarra, e põe-lhe em curva graciosa O anel de oiro e esmeralda ao cinto, que a completa.
Mãe, trouxeste ao nascer os ombros nus de Vênus, E a concha onde só cabem teus dois pés pequenos; Quando teu filho, em longo exílio abandonado,
Deusa, ninguém lembrar que foi teu filho, ainda Terás dos Imortais a juventude infinda, E o vasto amor do Oceano hirto, e jamais saciado...