Portuguese poem
Segunda confirmação do Inferno
by Luís Delfino (1834–1910)
Davam-lhe os olhos vesga expressão de bandido; Basta, grisalha coma, emaranha-lhe a testa; Um riso mau, desleal, a negra boca infesta; Andam maldade, inveja, ódio em cada sentido.
Nadava em fezes ruins; e ouvia-se o estampido Irromper-lhe da voz, que em quanto chega, cresta: — A luz é negra; o sol é mais negro, e não presta. — É da cloaca, onde habita, o fétido rugido.
Levando inda a direita o laureado poeta, Dante passando ao rés dessa lagoa infecta, Disse-lhe: — Ó infeliz, é o teu mal eterno!
Tinha no olhar Virgílio a indignação sublime: Rosnava o monstro: — Eu amo o crime pelo crime. - Dante voltou-lhe o dorso, e disse: — Estás bem no Inferno...