Portuguese poem
Aquella que, de pura castidade
Aquella que, de pura castidade, De si mesma tomou cruel vingança Por huma breve e subita mudança Contrária á sua honra e qualidade;
Venceo á formosura a honestidade, Venceo no fim da vida a esperança, Porque ficasse viva tal lembrança, Tal amor, tanta fé, tanta verdade.
De si, da gente e do mundo esquecida, Ferio com duro ferro o brando peito, Banhando em sangue a fôrça do tyrano.
Oh ousadia estranha! estranho feito! Que dando breve morte ao corpo humano, Tenha sua memoria larga vida!