Portuguese poem
Bem sei, Amor, que he certo o que receio
Bem sei, Amor, que he certo o que receio; Mas tu, porque com isso mais te apuras, De manhoso mo negas, e mo juras Nesse teu arco de ouro; e eu te creio.
A mão tenho metida no meu seio, E não vejo os meus damnos ás escuras: Porém porfias tanto e me asseguras, Que me digo que minto, e que me enleio.
Nem somente consinto neste engano, Mas inda to agradeço, e a mi me nego Tudo o que vejo e sinto de meu dano.
Oh poderoso mal a que me entrego! Que no meio do justo desengano Me possa inda cegar hum moço cego?