Portuguese poem
Busque Amor novas artes, novo engenho
Busque Amor novas artes, novo engenho Para matar-me, e novas esquivanças; Que não póde tirar-me as esperanças, Pois mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho! Vêde que perigosas seguranças! Pois não temo contrastes nem mudanças, Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas com quanto não póde haver desgôsto Onde esperança falta, lá me esconde Amor hum mal, que mata e não se vê.
Que dias ha que na alma me tẽe posto Hum não sei que, que nasce não sei onde; Vem não sei como; e doe não sei porque.