Portuguese poem
Guardando em mi a Sorte o seu direito
Guardando em mi a Sorte o seu direito. Em verde me cortou minha alegria. Oh quanto feneceo naquelle dia, Cuja triste lembrança arde em meu peito!
Quando mais o imagino, bem suspeito Que a tal bem tal desconto se devia, Por não dizer o mundo que podia Achar-se em seus enganos bem perfeito.
Pois se a Fortuna o fez por descontar-me Aquelle gôsto, em cujo sentimento A memoria não faz senão matar-me;
Que culpas póde dar-me o pensamento, Se a causa qu'elle tẽe de atormentar-me, Tenho eu de soffrer mal o seu tormento?